Foto Ana Sousa
Moradores de rua estão presentes nas cidades desde que estas se originaram. Sempre foram aqueles que por motivos os mais diversos não mantiveram os laços com o sistema produtivo, com a família ou com a localidade.
Hoje, mais especificamente em Brasília, há certo entendimento de que estas pessoas são oriundas de processos migratórios. Nem todos que estão em Brasília são oriundos do campo. Quem circula pela cidade há anos percebe que a maioria daqueles que vivem nas ruas, seja vendendo coisas de pequeno valor ou pedindo esmola, são conhecidos de muito tempo. O fato novo é o crescimento de crianças nas ruas e de usuários de crack e outras drogas.
Há certa perplexidade da sociedade e do governo de como lidar com a questão. Os usuários apreendidos são imediatamente soltos vez que não há como mantê-los na prisão, tanto do ponto de vista jurídico com logístico. As iniciativas de organizações não governamentais, mesmo que bem sucedidas, atingem um número pequeno, em geral de um segmento específico tal como alcoólatra, alienado, usuário de outras drogas etc.
O sucesso da empreitada só ocorrerá com a ação coordenada do governo. Considerado o número de moradores de rua em relação ao total da população vemos que se trata de um pequeno percentual, mas são pessoas incapazes de saírem das ruas pelos próprios meios. Crianças e adolescentes que não contam com o acompanhamento dos pais, que trabalham o dia todo, e que passam mais da metade do dia sós são as presas fáceis dos traficantes. Uma vez viciados vão para as ruas.
Aguardam-se as propostas e ações dos governos local e federal para as populações de rua e em especial para os viciados em crack. Essas políticas devem ter em vista a recuperação e a reinserção destas populações no mercado de trabalho e das crianças na família. Caso não seja possível reintegrar as crianças na vida família é obrigação do estado acolhê-las e protegê-las até a maioridade.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Mendicância no DF
Movimento Nacional de População de Rua no Palácio do Planalto
Foto de Fellipe Bryan
Quem circula pelas ruas de Brasília sente a presença marcante daqueles que vivem da esmola. A cada semáforo, calçadas de grande circulação, lá estão eles a espera da caridade de quem passa. Há aqueles que ficam às portas das farmácias com uma receita à mão e aqueles que vão aos restaurantes, no horário de almoço, pedir algum trocado para completar a quentinha.
Os que ficam nos semáforos, são quase sempre os mesmos. Em geral, há apenas um em cada semáforo. Ficam conhecidos por aqueles que repetem o caminho nos trajetos para casa, para o trabalho ou para a escola. Alguns são muito magros, fruto da falta de alimentos ou em decorrência de alguma disfunção orgânica. Nestes casos eles fazem questão de se apresentarem sem camisa de modo a acentuar sua incapacidade para o trabalho.
Um deles mendiga desde criança pequena. Hoje é homem feito e continua a mendigar no centro da cidade. Suas feições repassam um certo alheamento em relação ao meio, seus pés se movem arrastados, sua indumentária denota que ainda não amadureceu. Ele pode ser visto bem cedo ao sol nascente, à tarde ou à noite.
Foto Leroy Skalstad
Há quem se apresente limpo, só ou com a familia. Pedem junto aos restaurantes. Eles mantém um semblante de comiseração e dor. Pedem por comida; no dia seguinte estarão ali, nos mesmos locais, a abordar as mesmas pessoas.
Até um tempo atrás era comum aparecerem perto das paradas de ônibus e até nos shoppings pedindo dinheiro para completar “uma passagem”. Passagem para a uma cidade satélite ou para alguma cidade vizinha. Apresentam-se com a família toda para dar veracidade ao pedido ou pressionar as pessoas abordadas. Dias atrás uma pessoa me abordou pedindo dinheiro para botar gasolina no carro que estava abandonado na pista. Nunca tinha acontecido tal coisa comigo.
Conhecendo os mendigos que atuam no centro da cidade, fiquei impressionado, dias atrás, com o aumento inusitado do número de pedintes. Apareceram do nada. Muitos vestindo roupas limpas e de qualidade. Alguém especulou que seriam as pessoas que vivenciavam a Rodoferroviaria, e que, ao perderem seu palco de atuação, migraram para o centro da cidade. Os ônibus interestaduais foram transferidos da Rodoferroviaria para as imediações do Park shopping. Um deles causou espanto ao se ajoelhar diante do motorista para pedir ajuda. O motorista ficou mais espantado que sensibilizado e deixou de dar a esmola.
Aparecem muitos no final do ano para explorar a benignidade das pessoas que aflora com o período natalino. Postam-se em condições subumanas ao logo das vias, abrigam-se em diminutas barracas de lona preta, à espera da classe media alta que por ali transita.
Durante algum tempo o Governo do Distrito Federal nos levou a crer que haveria uma política de integração destas pessoas e que, portanto não deveríamos dar esmolas. Os governantes mudaram e aquela política foi esquecida.
O Governo do Distrito Federal, no PROSPECI-DF Programa de Segurança Pública e Cidadania do Distrito Federal, tem uma proposta de “construção de um albergue para acolhimento noturno para pessoas que moram nas ruas (local próximo ao plano piloto)”. Sabe-se que nem todos os mendigos são moradores de rua e que não há mendigos e moradores de rua apenas no Plano Piloto.
Foto Edison Russo
Em entrevista ao Correio Brasiliense em 13 de Setembro de 2010, O coordenador do Movimento Nacional de População de Rua, Joel Porto Lima, disse que os albergues hoje "têm apenas uma porta de entrada". "Mas falta a saída, criar mecanismos, ações para que os moradores consigam reconstruir suas vidas".
Há um entendimento entre os especialistas de que estas pessoas estão na rua por exclusão: expulsão, desenraizamento e privação. Dito de outra forma, eles foram para a rua por perda da moradia, inexistência de trabalho e renda, mudanças econômicas e institucionais de forte impacto social e por fatores biográficos: alcoolismo, drogas, rompimentos dos vínculos familiares, doenças mentais, perda de todos os bens etc.
Para cada motivo deve ser ofertada uma solução diferente que permita a convivência daquela pessoal com a cidade. São estas medidas que podem oferecer os meios para que aquelas pessoas reconstruam suas vidas.



