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quinta-feira, 10 de março de 2011

Entrequadras Empregos e Estacionamentos



Lucio Costa previu a locação de mercadinhos, açougues, vendas, quitandas, casas de ferragens, barbearias, cabeleireiros, modistas, confeitarias, entre outros pequenos estabelecimentos nas entrequadras do Plano Piloto. Hoje vemos que o tempo moldou a sua ocupação de modo mais amplo e complexo. Muitas das entrequadras abrigam lojas especializadas que atendem a todo o Plano Piloto.


Existem entrequadras com especialização comercial decorrente da aproximação de lojas afins. É o que ocorre com as lojas de informática na 207/208 Norte, com o comércio de luminárias e materiais elétricos na 109/110 Sul, com os restaurantes na 404/405 Sul e tantos outros exemplos distribuídos pela cidade. Isso não é uma distorção ocorrida em Brasília. Em todas as cidades de porte, encontraremos essa mesma setorização, seja ela planejada ou decorrente de concentração espontânea de atividades afins. É o caso da Rua 25 de Março em São Paulo.

O comércio das entrequadras oferece, hoje, número significativo de empregos nas mais diversas atividades. Algumas destas atividades provocam maior afluxo de clientes, vindos das muitas localidades do Distrito Federal. Há carência de transporte coletivo naquelas áreas. Assim, o meio de acesso é o automóvel, muitas das vezes multados por estacionarem em fila dupla. Os estacionamentos existentes são insuficientes.

A alternativa seria parar no interior da quadra, mas isso penaliza o morador. As vias e os estacionamentos das quadras ficam tomados por veículos, a circulação fica prejudicada. Em várias quadras há estacionamentos, tanto no inicio quanto no final da quadra. Eles não interferem nos espaços das moradias e ampliam as possibilidades de acesso aos bens e serviços das lojas preservando os empregos e atividades ali existentes. Não creio que a implantação destes estacionamentos interfira no tombamento da cidade. Não creio, por outro lado, que a solução seja apenas multar os veículos. O problema de estacionamentos nas entrequadras existe e deve ser enfrentado.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Descaso Também na Educação

              Escola Parque 308 Sul

A preocupação com a educação em Brasília surge ainda no Relatório do Plano Piloto de Lucio Costa. Ali a distribuição das escolas se dá em conformidade com a idade, a capacidade de a criança chegar a ela caminhando, o conforto e a segurança das crianças e sua distribuição espacial. O conceito de Superquadra, com dois mil e quinhentos habitantes e de Unidade de Vizinhança com dez mil habitantes possibilita a distribuição das escolas em correspondência com a distribuição etária da população.


Anísio Teixeira, que havia se notabilizado entre outras coisas pela criação da Escola Parque em Salvador, foi convidado pelo então Diretor do Departamento de Educação e Difusão Cultural da NOVACAP, o médico Ernesto Silva, para conceber o Plano de Construções Escolares de Brasília. Esse plano deveria se pautar pelas diretrizes emanadas por Juscelino Kubitscheck de ser ao mesmo tempo modelo e exemplo para todo o país.

Artigo de Pereira, Eva Waisros da UnB e Rocha, Lúcia Maria da Franca da UFBA disponível no www.anped.org.br nos dá conta das propostas contidas no Plano de Construções Escolares concebido a partir da premissa de ensinar a “compreender e pensar e não somente fazer”, objetivando uma formação sólida e geral, aquisição de hábitos e atitudes desejáveis para o trabalho, a vida e a sociedade.

A estrutura do sistema proposto seria composta dos Centros de Educação Elementar compreendendo os Jardins de Infância, Escola Parque e Escola Classe, Centros de Educação Média composto de Escola Secundária Compreensiva e Parque de Educação Média e a Universidade de Brasília. O sistema foi concebido para funcionamento em tempo integral.

Brasília sofre hoje da mesma falta de escolas observada em outras partes do país. Já tivemos até escola de lata. A omissão no cumprimento do dever constitucional de universalizar o ensino é flagrante. Proliferam as escolas particulares, dada a falta de escola pública. O novo governo deve identificar onde estão as crianças e as escolas disponíveis de modo construir novas escolas onde haja falta e oferecer a todos a educação almejada, voltando a ser exemplo e modelo para o país.