quinta-feira, 19 de março de 2009

A Cidade e os Portadores de Necessidades Especiais


A adequação das cidades aos portadores de necessidades especiais tem sido tema de constantes discussões, dada a carência de estrutura para este segmento. Em Geral a resposta a essa questão tem se traduzido em vagas nos estacionamentos e rampas nos meios-fios e nos acessos ao piso térreo dos edifícios. Medidas apenas para os cadeirantes e com isso, parece resolvido o problema. A sociedade se dá por satisfeita em achar que assim está resolvida a obrigação para com os semelhantes.

Vejamos como o cadeirante se desloca. Caso não tenha carro ele terá que esperar por inúmeros ônibus da mesma linha, até achar um que lhe atenda, pois somente 10% da frota dispõe do mecanismo de elevação da cadeira até o ônibus. Ele chega ao ponto próximo ao destino e poderá se deparar com a calçada inexistente ou descontínua. Chegando a um edifício e havendo acesso por rampa, suponhamos que ele precise usar o banheiro. Grande drama! Os banheiros, na maioria das vezes ficam no subsolo, na sobreloja ou têm um degrau impossível de ser vencido pela cadeira de rodas.

Caso ele precise ir ao médico, ao dentista, ao curso de línguas ou outra atividade que se situe no primeiro ou segundo piso do comércio das entrequadras da Asa Norte, do comércio da W3 ou outros edifícios menores, isso não será possível. Essas construções são licenciadas sem elevadores. A própria aplicação da lei que dispõe sobre a contratação de, no mínimo de 10% de paraplégicos, para as funções que impliquem em estar sentados ficam impossibilitadas de cumprimento nestes edifícios.
Mas não são só os cadeirantes que ficam sem condições de acesso a muitos dos serviços e equipamentos da cidade. Há muitas outras debilidades que dificultam a mobilidade das pessoas. Idosos, pessoas que perderam membros do corpo, ou que sofrem de descontrole motor e ainda os portadores de nanismo, tem as mesmas dificuldades.

Os deficientes visuais têm pouca ou nenhuma ajuda dos equipamentos públicos para auxiliá-los no uso da cidade. Em uma das poucas e boas experiências havia um semáforo com indicação sonora para os pedestres no cruzamento da Avenida W3. O deficiente visual podia fazer a travessia com segurança. Com o tempo o aviso sonoro desapareceu. Pena! O que deveria ser estendido para toda a cidade foi perdido.

Ainda em relação aos semáforos, existem muitos relatos sobre a luta dos daltônicos para que todos os semáforos tivessem a mesma programação com o sinal vermelho em cima, o amarelo no meio e o verde em baixo. Assim, mesmo não distinguindo as cores eles podem saber qual é o sinal de parar e de avançar. Todavia, temos assistido inúmeras experiências com semáforos que não respeitam esta regra. Com isso, os daltônicos ficam ser saber como agir.

O INSS contratou recentemente uma empresa para adequar todas as suas agências às pessoas com necessidades especiais. Desconheço o resultado, mas creio que os concidadãos que vierem a utilizar tais agências terão sua auto-estima elevada ao perceberem que os demais se preocupam com eles. Neste sentido, o governo local bem que poderia dar um exemplo para o Brasil promovendo estudos de adequação plena dos espaços e equipamentos às pessoas que fogem ao padrão médio de ergonomia, de audição, de mobilidade e de visão. A implantação seria o passo seguinte. Os portadores de necessidades especiais agradeceriam.

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